quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

DICAS RÁPIDAS

DICA DA SEMANA!

Já perceberam que tem semanas, ou melhor, dias que a gente chega em casa e sente uma fraqueza...um desânimo? 
Bom, independentemente de qual seja a causa ou determinante, temos aqui três boas dicas para cansaço nas pernas e para a sensação de "esgotamento":

DICA 1

Tome um banho morno.
Depois, com o "chuveirinho", jogue água fria do joelho para baixo.
Enxugue-se e vá para sua cama.
Coloque os pés para cima de maneira que o calcanhar fique mais elevado que o coração.
Respire profundamente e relaxe.
Em geral as pessoas ficam deitadas com a cabeça para os "pés da cama" e colocam os pés na cabeceira da cama. 
Veja a foto abaixo:
Aproveite este desenho (agradecimento ao portalsaofrancisco.com.br) e coloque um apoio na nuca.

Não se esqueça de ligar a "fonte de água"...colocar um sonzinho especial e deixar uma luz fraquinha, de preferência verde, iluminando "devagar" o quarto.
Para as mulheres: Evite o uso diário de sapatos com saltos altos. Vá diminuindo esta "compulsão" devagar. Os sapatos altos cooperam para a beleza subjetiva mas trazem dores e alterações funcionais graves.

DICA 2


(imagem - Referência: http://2.bp.blogspot.com/_eI4fUC-jVqA/TRIJKYjw_6I/AAAAAAAAAy8/r2c-K5NgBjQ/s1600/escalda_p%25C3%25A9_vilamulher.terra.com.br.jpg)

Compre numa farmácia de sua confiança um pacote de gengibre ralado ou moído.
Chegue em casa e ao anoitecer, antes de ir dormir, faça um escalda-pé.
Coloque um punhado de gengibre numa panela e deixe ferver. Desligue o fogo assim que começar a fervura.
Despeje este "chá" num balde de maneira que a água fique morna.
Coloque os dois pés dentro do balde de maneira que a água possa cobrir, pelo menos, até o meio da panturrilha ou meio da canela (meio do osso da tíbia)
Fique com os pés imersos por uns 10 minutos e depois...cama! Você vai notar a qualidade de sono!

DICA 3

Massagem no Ponto do Estômago E36.
Massageie o ponto E36 (Estômago número 36) com a ponta do polegar.
Para achar o ponto:
Coloque o centro da palma da mão esquerda sobre o centro da patela esquerda (Patela é a antiga rótula - osso meio redondo que fica no joelho)
O seu dedo médio deve ficar exatamente sobre a crista do osso da Tíbia. Onde cair o dedo anular esquerdo será o ponto E36. Fácil né?
Localizado o ponto, use o polegar da mão esquerda para massagear por uns 5 minutos...com firmeza e não tensão ou força demasiada.

Faça o mesmo para a perna direita...seguindo as mesmas orientações só que com a mão trocada!, ou seja, localize o ponto E36 da perna direita usando a mão direita.

Veja abaixo localização do ponto E36:
Localização do Ponto E 36. Perna Direita.
(agradecimento imagem: kyokushinkaikan.com.br)


Depois destas dicas você vai notar uma sensação de alívio, bem estar e se sentir muito mais animado e seu sono será reconfortante...Utilize a ferramenta abaixo "comentários" para compartilhar com todos e todas deste blog o que você sentiu depois destas atividades. Ajudou? Melhorou?

Obs: Sensação de cansaço e fadiga constantes merecem uma avaliação mais aprofundada para conhecer os determinantes.

Qualquer dúvida escreva para este Blog!

Até a semana que vem

Maurici

domingo, 5 de dezembro de 2010

Acupuntura: Considerações e reflexões sobre a Tradição e a Terapêutica. PARTE IV

                   
 Escrevendo sobre ACUPUNTURA:
Existem Acupunturas cardíaca, pulmonar, dermatológica, urológica?
Como reconhecer um bom profissional antes de fazer uma sessão?



                      A Acupuntura deve ser exercida com muita prudência e seguindo a tradição, sob pena de ser banalizada ou reduzida, usando apenas a técnica de aplicação de agulhas, em receitas prévias, para determinadas queixas. Um profissional bem habilitado poderá interagir com diversos outros de forma multi, trans e interdisciplinar, embora a Acupuntura não possua especializações, como estamos acostumados na clínica ocidental hegemônica. 

                   Não temos Acupunturistas especialistas no meridiano do Pulmão (Acupuntura em Pneumologia), ou do Coração (Acupuntura Cardiológica), o que seria um verdadeiro contra-senso na medida em que ela é construída dentro de um fundamento integralista como vimos no início, ou seja, a Acupuntura é um “recurso” baseado em funções sistêmicas integrativas, complexas, abertas e interativas. 

                    Entretanto, de uma forma sincrética, somatotópica ou ainda fazendo uma analogia com as especializações da clínica moderna, ela é uma aliada terapêutica nas doenças crônicas degenerativas ou nas Síndromes inespecíficas como SGA(Estresse), Fibromilagia, doenças auto-imunes e  portanto se aproxima muito da reumatologia e geriatria; nas cefaléias tensionais ou paralisias onde abre espaços para, através das pistas deixadas pelo trajeto do meridiano acometido, inferir determinantes do aparelho digestivo, da oclusão dentária, da ATM ou do pulmão, portanto se aproxima muito da neurologia, pneumologia, odontologia, fisioterapia, terapia ocupacional, nutrição, enfermagem. 

                Nos acometimentos ósteo-articulares, nas lesões por esforços repetitivos, DORT, desvios da coluna vertebral podem ser particularmente valiosas, aproximando-se da ortopedia, fisiatria, educação física. Certamente existiriam muitos outros exemplos como sua utilização como anestésico em pré- operatórios, tratamento analgésico em idosos que apresentam intolerância a determinados medicamentos, nos distúrbios uro-ginecológicos, dermatologia, estética e até em plantas e na veterinária. 

                   Vimos que os desequilíbrios energéticos surgem pela insuficiência ou excesso de Yin/Yang nos meridianos que se distribuem por nosso organismo. Perante um quadro de dor na articulação coxo-femural, por exemplo, embora o atento Acupunturista certifique-se do agravo “específico”, coxartrose, uma leitura tradicional mostraria que o agravo não é reconhecido pelo nome derivado da CID-10, (Classificação Internacional das Doenças - 10ª Edição) mas como um “Síndrome do ataque ao Chao Yang” o que inclui o grande meridiano da Vesícula Biliar e do Triplo Aquecedor. 

                   Uma enxaqueca que se agrava com o vento, pode ser reconhecida como “Yang do Jue Yin dos pés que subiu”. É uma questão de leitura, de semântica sem dúvida. Contudo envolve um “saber” que certamente transcende o intelectivo, a cognição, a racionalidade e insere um elemento que envolve intuição, conhecimento, interpretação, significado, indução, dedução e principalmente um senso de percepção muito parecido com o conceito de “sistemas abertos e complexos”, descritos por Francisco Varela, Humberto Maturana e Ricardo Uribe. 

                  O poder da síntese às vezes faz com que as relações pareçam desconexas e desprovidas de sentido, fora de qualquer possibilidade de racionalidade perante a clínica tradicional. É preciso “muita” paciência e determinação por parte do profissional Acupunturista, do colega que indicou a interconsulta e do paciente. É preciso toda uma precaução e habilidade para transmitir as informações. Pelo fato de querermos uma explicação para nosso sofrimento e dor, precisamos “entender logo” a situação que nos acomete, mesmo que haja sucesso no tratamento. É compreensível. Imagine a situação de um paciente, dentro dos aspectos de nossa cultura imediatista e da modernidade, receber a informação que seu “Yang do Jue Yin do pé subiu”.!?! 

                São apenas exemplos, vamos combinar, “fictícios”, para podermos fazer uma analogia entre as concepções clínicas e talvez concluir que o Acupunturista, neste exemplo e em outros, não tratou de “enxaqueca”, mas de um desequilíbrio no Chi do meridiano do Fígado e do Triplo-Reaquecedor (com prováveis  desdobramentos nos meridianos da Vesícula Biliar e Circulação Sexualidade).

Voltamos semana que vem.
Até lá!
Maurici Tadeu Ferreira

domingo, 21 de novembro de 2010

ACUPUNTURA: Considerações e reflexões sobre a Tradição e a Terapêutica.

PARTE III


Foto: MauriciTFSantos, Caxambu,2010

Continuando nosso artigo anterior, trazemos aqui algumas considerações:
Como alimentamos as idéias, como as digerimos e a que e como dedicamos nossa inspiração 
Boa leitura!
                Perceba então que, a partir de uma concepção “simples” de um sistema binário, podemos entender nossa existência, que se move por meio e com a essência do sopro original de forma interdependente e indispensável, criando, construindo e desconstruindo constantemente o visível e o invisível. A interrupção e privação de qualquer uma das três fontes primordiais é incompatível com a vida tal qual a conhecemos.

                 Chi possui uma quantidade, por certo, mas estamos aqui dialogando sobre seu potencial qualitativo. E do que depende sua qualidade? Do ar que respiramos, dos alimentos que ingerimos e de nossa energia ancestral que recebemos de nossos antepassados (também chamada de Céu Anterior). Nossa qualidade de vida dependerá, portanto de como respiramos e nos alimentamos (isso inclui como alimentamos as idéias, como as digerimos e a que e como dedicamos nossa inspiração). 

                 A maneira com que lidamos com a energia ancestral, ou seja, como a usamos em função de nossas escolhas e livre arbítrio, definirá nossa qualidade de vida. No corpo saudável as energias convivem em estabilidade, ainda que às vezes temporariamente longe do estado de equilíbrio, proporcionando um estado que nós ocidentais chamamos de homeostase ou equilíbrio fisiológico. Contudo muitos fatores podem alterar uma ou mais destas funções. Podemos citar, por exemplo, a forma com que percebemos e construímos nossa realidade objetiva e subjetiva; a forma com que agimos; os estressores ambientais a que nos expomos; a qualidade de atenção que damos a cada manifestação e ao significado que damos à nossa corporeidade. 

                Dependendo da força, persistência e qualidade da perturbação, haverá desconforto, descontinuidade, interrupção e perturbação dos canais (meridianos) supridos por Chi. Na ânsia de retornar a situação de equilíbrio, os meridianos (nós) tentam se ajustar, cedendo ou retirando energia entre eles para manter as funções orgânicas vitais, considerando as prioridades, ciclo de produção, de dominância e hierarquias. 

                De uma maneira geral podemos dizer que as doenças surgem na medida em que há desequilíbrio (insuficiência ou excesso) na relação Yin e Yang dessas trocas em nós, ou em nossos meridianos. Por serem agressões muitas vezes discretas, escondem as desordens tornando-se assintomáticas, mas secretamente vão “construindo” a doença. Por vezes, no entanto, por estarmos com as defesas enfraquecidas, as energias agressivas podem acometer o indivíduo de um só golpe, causando sinais ou sintomas imediatos. Muitos devem ter exemplos de passagens deste tipo em suas vidas, não é mesmo?    

                Qual seria então o papel da Acupuntura? Restabelecer o equilíbrio, agindo como co-auxiliar, facilitadora ou ainda “verdadeira” enzima que cataliza as reações curativas via estabilização do balanço energético nos ciclos dos meridianos. De que maneira? Com estímulos em pontos específicos do corpo, facilitando o “diálogo” entre os diversos vasos energéticos, permitindo que Chi se expresse em toda sua amplitude. Com isto a vitalidade é redistribuída de forma compatível com o que escolhemos no “andar de nossa vida”, o que exemplifica bastante os diferentes desfechos de cada caso.

Até a Próxima... 


...
 

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

ACUPUNTURA: Considerações e reflexões sobre a Tradição e a Terapêutica. PARTE II

Continuando nosso artigo anterior, trazemos aqui algumas considerações a respeito do Yin e do Yang. Boa leitura!



O símbolo circular mostra duas marcas em forma de gotas, uma preta e outra branca, que se interpenetram, se complementam e se contemplam, uma invadindo a outra, inspirando movimento de expansão, quando girado no sentido horário e de contração quando girado no anti-horário. A imagem preta significa o Yin e a branca o Yang. Em cada uma delas há um ponto com a cor oposta significando que o Yin contém a semente do Yang e o Yang contem a semente do Yin. Um elemento não existe sem o outro e não existe nada, como fundamento da tradição, que possa ser exclusivamente Yin ou Yang.  Só esta figura, sem dúvida emblemática e repleta de significados, é um rico e extenso tema para a Semiologia e a Sinologia. De certo começaríamos afirmando que ela é um dos mais formidáveis e raros símbolos da engenhosidade humana, que expressa o todo e a parte vivendo em harmonia, em contraste e em constante mutação: contraria sunt complementae (os contrários se complementam). Este ícone deveria ser visto como uma bola tridimensional, mas bidimensionalmente ainda indica a concepção de sua criação, ou seja, a de uma constante integração entre uma força e sua contraparte, expandindo ou contraindo, cada qual levando em si a semente da outra.
É um símbolo que representa muito bem o conceito de integralidade e com isso dá pistas de como seus idealizadores percebiam o mundo em que viviam e a si próprios. Tudo está interconectado e é interdependente. Temos então uma primeira percepção do que é a Acupuntura apenas por entender um pouco suas origens e os significados de um código.

Nossa primeira dificuldade a expor, contudo, é que a tradição Chinesa não propõe verdadeiramente um saber, no sentido contemporâneo do termo. E é justamente aí que começam algumas dúvidas que parecem intransponíveis. Por isso a necessidade fundamental de debruçarmos um “olhar” diferenciado para “entender” as bases da Acupuntura. No vasto sistema que ela expõe, sobretudo no modo analógico de interpretação, os fundamentos não se baseiam em objetos ou quantidade em si, mas essencialmente em certas qualidades específicas da experiência humana que transcendem o saber e por este motivo provoca-nos uma discussão de como aprendemos a saber. Nisto reside boa parte da sabedoria. Assim, todo ser humano é um ente que une as essências do Céu e as da Terra e torna possível tudo o que daí brota e ao mesmo tempo constrói em seu centro (localizado no abdomem), chamado de “campo cultivável”, o essencial para ser um elo integrador, nutrido e nutridor, entre o que está acima e o que está embaixo de si.
Sem que haja, isoladamente, um “lá em cima” e outro “lá em baixo”, existe um “meio” onde as energias celestes e terrestres se encontram e formam uma grande família. Não é por coincidência que o país ou região de onde estas idéias floresceram não se chama exatamente China, mas País ou Povo do Meio. O Prof. Eyssalet em sua obra “Shen ou o instante criador” traduz uma passagem interessante: “...a unidade é a gênese da transformação das formas. O aspecto claro e leve em ascensão forma o Céu; o obscuro descendente forma a Terra; o sopro harmonizado do surgimento central constitui o ser humano...”.
Do encontro desses quantuns energéticos, do que está no alto (Céu), de magnitude Yang, com o que está embaixo (Terra), de magnitude Yin, junto com o nosso quantum {uma mistura da energia ancestral do pai(Yang) com a mãe(Yin)} surge uma das derivações mais importantes para a compreensão e uso da Acupuntura: a idéia da energia vital ou Chi (também conhecida como Qi ou Ki).

Uma vez formada pela união destas três fontes primordiais, Chi é distribuída para todo o organismo. Das três fontes, duas são renováveis: a do Céu, que traz a informação no ar que respiramos; a da Terra, que traz o alimento que ingerimos, e uma não renovável, que é a nossa energia ancestral, situada na região entre os Rins. A união das três energias, com-formam o Chi que vai carregar nutrientes e energia, ambos investidos de informação material e imaterial e nutrir tudo o que entendemos como corpo. Ela vai navegar, explorar, passear, surfar e distribuir-se assim como (aqui entra um sincretismo) o sistema arterial, venoso, linfático ou nervoso, por canais ou trajetos chamados de “meridianos”. Para ser mais exato ou didático, há uma divisão deste Chi em energias Yong e Sangue (nutridoras) e Wei (defensiva), que não exploraremos neste momento. O pensamento Chinês não separa mente de alma ou espírito. Existe uma manifestação das essências, como vimos, em constante fluxo e refluxo. A energia que circula pelos vasos, rios, mares, vales de nosso organismo sustentam, são sustentadas e se auto engendram reciprocamente e em retroalimentação, analogamente ao que conhecemos como autopoiese. Inauguram e mantém as entidades viscerais que “regem” cada segmento interdependente e são representadas no Shen do Coração, I do Baço e Pâncreas, Pro do Pulmão, Zhi do Rim e Roun do Fígado. A grande família se faz interconectando-se com uma rede mais superficial ou mais profunda, com ligações de passagem, colaterais entre outras, dentro de uma cadeia (teia) de meridianos, dos quais podemos citar 12 bilaterais e 2 únicos. Os 12 meridianos principais são apresentados a seguir, cada um (Yin) com aquele que atua de forma acoplada (Yang): Coração e Intestino Delgado; Baço-Pâncreas e Estômago; Pulmão e Intestino Grosso; Rim e Bexiga; Fígado e Vesícula Biliar; Circulação-Sexualidade e Triplo-Reaquecedor e finalmente um ventral e um dorsal: Vaso Concepção e Vaso Governador.      


Na próxima semana daremos continuidade nesta maravilhosa viagem pelos meridianos chineses.

Até lá então.


Maurici TF Santos 

domingo, 7 de novembro de 2010

ACUPUNTURA: Considerações e reflexões sobre a Tradição e a Terapêutica. PARTE I


Primeira Parte 

Durante algumas semanas vamos falar da história da Acupuntura. Neste primeiro texto, traremos alguns conceitos dos seus primórdios. 




Não é fácil expor, em poucas palavras, a intenção profunda de uma obra como a Acupuntura. É plausível dizer que quase tudo o que se sabe sobre ela começa com lendas muito antigas. Fu Xi e Hwang Ti foram representantes das comunidades de tribos da sociedade primitiva Chinesa há cerca de 4.000 anos atrás. Muito do que conhecemos vem deste tempo, ou talvez de épocas mais remotas ainda. Para se ter uma pequena idéia de como o conhecimento se transmitia nos seus primórdios, há escritos do Imperador Amarelo (2700-2100 aec) preservados em cascos de tartaruga.  Após este período novas reflexões foram formuladas e incorporadas à Tradição pelas dinastias Chia, Shang, Tsou, Chin, Han, Sung, Ming entre outras. Consideramos oportuno chamar todo este “capital da elaboração humana” de “Tradição” uma vez que o termo “Filosofia” está mais adequadamente relacionado com a produção intelectual específica da Civilização Helênica. Portanto tratamos neste artigo da Acupuntura segundo a Tradição Chinesa e não de Filosofia Tradicional Chinesa, como vemos amiúde em discursos, conversas e textos na área.  Parece ser excesso de preciosismo, contudo é bom notar que nomear esta forma de pensamento de “Filosofia”, não deixa de confirmar a tendência que nós ocidentais temos em optar pelo sincrético e não pelo sintético, o que é muito compreensível. Não desqualificamos nem um nem outro modo de abordagem, mas de certo é bom definirmos nossos termos para manter a coerência quando nos expressamos, neste artigo, de uma ou de outra forma.    

É preciso certa dose de abstração para entender o que é esta tradicional e ancestral arte Chinesa. 
Se formos sincréticos o texto ficará mais agradável, por usarmos conceitos mais familiares. Estaremos “ocidentalizando” o “oriental”. Contudo esta abordagem perde muito da “essência” da tradição, e acrescenta uma dose de traição, em favor da inteligibilidade. Por outro lado se formos muito sintéticos, pode ser que o leitor ache tudo muito vago, ambíguo e sem sentido. Optamos por um texto temperado e balanceado.

 
Para melhor apreender as bases da Acupuntura é preciso contextualizá-la na visão de mundo de onde ela emerge e floresce. Este exercício certamente significa qualificar as concepções e o imaginário Taoísta, particularmente no que concerne a cosmologia e conseqüente valorização da idéia de “unidade”, tão cara ao conceito de “TAO”. Neste processo “unificante” percebemos (e aqui entra uma síntese) também uma  “dualidade” implícita e as derivações que dela surgem como as essências do universo, as relações culturais, o valor que se dava ao corpo, saúde, sociedade e meio ambiente como um todo e em constante mutação. 
Segundo a tradição, tudo começa quando o Caos primordial se desfaz. Uma grande força possibilita o desabrochar de duas polaridades, as energias Yin e Yang. Destes dois princípios elementares nasceram as “dez mil coisas”. Em uma passagem do Tao Te Ching, de Lao Tzsu, temos uma descrição do que seria o Tao “...algo que é misterioso, informe e existe antes de haver Céu e Terra. Silencioso, quieto e vazio, pleno em si mesmo, imutável, circulando eternamente através dos espaços e tempos, incansável. É a mãe da miríade de coisas do universo...”. Todas estas “coisas” expressam o sopro original das polaridades Yin e Yang: calor-frio, feminino-masculino, dentro-fora, superficial-profundo, alto-baixo, úmido-seco, forte-fraco, luz-escuridão, aberto-fechado, côncavo-convexo etc. Já deve ser de conhecimento de muitos o signo: Yin - Yang. 

Proxima semana continuaremos com a segunda parte deste artigo.
Até lá!

Maurici Tadeu F Santos

Coluna Vertebral: dores, memória e história natural






por Maurici Tadeu Ferreira

A coluna vertebral parece ser o espelho da história do desenvolvimento humano. A postura ereta do homem está relacionada com uma das mais importantes mudanças da evolução de nossa espécie.

Ossos fossilizados e pegadas mostram que a adaptação fundamental do homem ao bipedalismo (andar ereto) se deu na África há aproximadamente quatro milhões de anos. Vestígios dos primitivos hominíneos bípedes, os símios meridionais, foram primeiro descobertos no Transvaal. Porém, a mais antiga e segura prova foi encontrada na região de Afar, na Etiópia.

Desde que estes proto-hominíneos desceram das árvores e iniciaram a exploração das grandes e vastas savanas Africanas, a coluna vertebral vem se ajustando às novas aptidões. Fora das árvores e eretos, os exploradores puderam ter as mãos livres para novas experiências. A “postura” mudou e trouxe consigo novas possibilidades – ou ao contrário - a “possibilidade” mudou e trouxe consigo nova postura?!?

As novas possibilidades que surgiam no horizonte exigiram novas responsabilidades e por certo novas adaptações e este é o código que carregamos ancestralmente até hoje quando usamos novas “posturas” frente aos novos desafios.

O Homo Sapiens moderno, ao nascer, traz sua coluna em forma de “C”, com a concavidade voltada para dentro. Quando o bebê consegue “virar-se” da posição de decúbito dorsal ou supino (barriga para cima) para decúbito ventral ou prono (barriga para baixo), ele assume novas possibilidades, contudo assume novos desafios e responsabilidades. Ele “tem” que estender seu pescoço para enxergar o que há pela frente, garantindo-lhe avançar e não ser sufocado. Mudando a possibilidade, deve adaptar-se e assumir novas posturas. Os graus de liberdade são conseguidos graças à lordose cervical. No processo de engatinhar e sentar, lentamente o bebê delineia a curvatura torácica e ao andar incorpora a lordose lombar (curva do quadril). Juntas, estas três curvaturas estabilizam o desenho fisiológico da coluna. Será que podemos encontrar semelhanças entre o “modelo” de crescimento do bebê e o “modelo” de crescimento da espécie? Podemos afirmar que a ontogenia “copia” a filogenia? Fica aí uma provocação ao leitor.

A postura adequada pressupõe harmonia entre as curvas da coluna com as tensões das cadeias musculares e com nosso “modo de andar a vida” o que naturalmente inclui emoções, expectativas, ansiedades, amores, decepções, trabalho, repouso etc.

A motricidade, que é o movimento carregado de significado, e o tônus humano engendram e ao mesmo tempo produzem impressões e projeções que são registradas e memorizadas em nossos organismos como atitudes, posturas, crenças, valores, desejos, símbolos e ideologias.

Ao deslocar-se de seu centro de referência, a postura inadequada cria memórias difíceis de apagar além de uma série de disfunções e patologias. Seguem-se as dores.

Para minimizá-las surgem grandes ou pequenas alterações como parte ou pacto de um concerto orquestrado de compensações e contenções. Os sintomas são o pranto do corpo, alertando-nos de que já basta. Se não construirmos uma trajetória de atenção e prevenção, estes sintomas vão quebrar-nos exatamente onde mais nos contivemos.

Há disfunções como as escolioses, por exemplo, que em suas manifestações mais graves representam, em última análise, o máximo de compensações que um indivíduo poderia fazer de forma a não sobrar-lhe mais espaços para manobras adicionais. As modificações geram dor e a memória a acompanha como uma sombra, de forma que por detrás de cada desvio há um significado resultante de uma experiência específica. Portanto, a relação de dor, memória e significado.

Maurici Tadeu F. Santos, Fisioterapeuta pela Universidade Federal de São Carlos-SP, Acupunturista pela Associação Brasileira de Acupuntura, mestre em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo, consultor da Prisma - Projetos Integrados em Saúde e Meio Ambiente, colaborador da Vamus !

sábado, 18 de setembro de 2010

Nosso olhar; nossos olhares.

"...o olho é um lugar de receptação e sobretudo de passagem do princípio vital.
Nos olhos, portanto, lê-se diretamente a vitalidade e a presença...
Na vida, nas artes marciais e na clínica, o cruzamento de olhares é uma forma privilegiada do encontro de ser a ser e induz a comunhão das energias vitais.
Esta qualidade do olho, que subentende ao mesmo tempo a radiância do ser e seu poder de penetração, de compreensão das imagens e dos fenômenos tem, em energética, o nome de JING MING".



Ref: Eyssalet, Jean-Marc, trad. Gilson Soares. Shen ou o instante criador. Gryphus:Rio de Janeiro, 2003; p.109.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Mobilizando o alento interior




"Como um instrumento sonoro, com seu timbre, manifestamos nossa essência quando permitimos e mobilizamos a fluição de nosso alento interior. Como um músico que vibra o seu instrumento, você pode atuar conscientemente sobre seu som, harmonizando seu corpo, abrindo espaços interiores e aplicando a intenção adequada para o tom de cada gesto"





Ref:Profas Mariana Muniz e Lucia Lee, no curso de Lian Gong da Tv Cultura.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Mudanças de tempo nas estações e nossa saúde.

Olá a todos e todas.
Temos percebido, pelo menos aqui em São Paulo, as variações de tempo que ocorrem durante o mês, a semana e até no mesmo dia. Há dias em que de manhã está frio, depois esquenta na hora do almoço, venta por volta das 3 da tarde e depois chove e faz frio.
Reagimos um pouco diferente dos moradores dos países da região norte do planeta pois por lá as estações tendem a ser mais definidas. Agora com as mudanças globais este evento não está tão certo assim.
De maneira que aqui pelos lados tropicais, vivenciamos as quatro estações num só dia!
Concordamos que uma estação possui uma essência, digamos, predominante, não é?
Verão em geral é calor; outono é sêco, primavera tem ventos fortes e no inverno faz frio.
Na sabedoria da acupuntura constumamos dividir as estações junto com suas essências - e - usamos a figura dos 5 elementos. Assim no verão sobressai a essência do calor. O elemento é o fogo, divididos em dois estágios: o primeiro é o imperial que está associado ao meridiano do coração e do intestino delgado. O segundo é o calor ministerial representado pelos meridianos da circulação/sexualidade e triplo aquecedor. No outono o elemento é o metal e a essência é a secura e está ligada aos meridianos do pulmão e intestino grosso. No inverno é a vez do elemento água e a essência do frio e aos meridianos do rim e da bexiga. Já na primavera o elemento é a madeira e a essência é o vento e os meridianos do fígado e da vesícula biliar. Contudo há uma quinta estação chamada Terra que seria uma transição entre cada estação, isto é, ela ocorre antes do verão, antes do outono, antes do inverno e antes da primavera. Portanto concluimos que não temos 3 meses para cada estação. Esta estação intermediária Terra tem como elemento a terra e como essência a umidade e meridianos do baço/pâncreas e estômago.

A acupuntura procura preparar o organismo para a entrada em cada estação no sentido de fortalecer o organismo para os possíveis agravos que a estação venha trazer no sentido de ter suas temperaturas exageradas ou continuamente mudando. No Brasil, em particular, onde as temperaturas, ventos, umidade mudam muitas vezes dentro do mês e do dia como vimos inicialmente, é sugerido que as pessoas possam se preparar para cada estação e com isso prevenir muitas situações como gripes, resfriados, inflamações nos seios da face e na garganta.
Um outro fato interessante na cultura chinesa é que, em geral, todos os exageros que cometemos numa estação surjam como agravos aos nossos organismos na estação subsequente. Se, por exemplo, abusamos muito de líquidos gelados, ar condicionado e ventiladores no verão, será na estação Terra que os sinais e sintomas poderão ser exacerbados trazendo desconforto orgânico.


Até a próxima!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Pensamentos & reflexões.









Algo que é misterioso e informe existe antes de haver céu e terra. Silencioso, quieto e vazio; pleno em si mesmo, imutável, circulando eternamente através dos espaços e tempos, incansável. É a mãe da miríade de coisas do universo.
Lao Tzu

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O que é Lian Gong?











Lian Gong (pronuncia-se lin kun) é uma série de exercícios baseados nos trabalhos do médico chinês
Zhuang Y. Ming. Surgiu, segundo Maria Lucia Lee (1) , como um dos primeiros sistemas de prática corporal que, mantendo como base os princípios das milenares artes corporais chinesas, incorporava também os modernos conhecimentos da fisiologia ocidental.












Maurici TF Santos é instrutor de Lian Gong desde 1994. Aulas para grupos em Instituições, Condomínios ou Universidades.




1. Lian Gong em 18 terapias. Maria Lucia Lee. 5a edição. São Paulo. Pensamento, 2006.

Indicações da Acupuntura

Clínica & atendimento em grupo

por Maurici Tadeu Ferreira Santos*




  • Acupuntura sistêmica:

Cuidado e atenção ao exame dos pontos. Utilização do "pulso" como indicador de sinais. Bom senso na conduta e diagnóstico, considerando a biomedicina ocidental e a tradição Chinesa. Uso prudente e seguro de agulhas nos meridianos corporais.



  • Acupuntura Auricular:

Utilização deste microssistema para colocação de pequenas agulhas como estímulo à capacidade de cura do organismo.



  • Método Do-In

Também chamado de Acupressão, substituindo as agulhas. Reflexologia no microssistemas dos pés.


  • Shiatsu


  • Ventosa:

Uso de adequada instrumentação, que produz pressão negativa sobre a epiderme.


  • Eletroterapia:

Uso de eletro-estimulação transcutânea junto a Acupuntura. (Eletroacupuntura).

  • Lian Gong

Por fora, fortalecer tendões e músculos; por dentro fortalecer o Qi. Lian Gong é uma prática desenvolvida na década de 1970 por Zhuang Yuen Ming. Segue as origens milenares do Tai Chi, incorporando as práticas corporais tradicionais ao conhecimento da fisiologia.

Faça 10 minutos diários e comprove sua eficiência e eficácia!



Indicações da Acupuntura:

Dores em geral, disfunções musculoesqueléticas, distúrbios do movimento e da motricidade.


Cuidados e Segurança:

Agulhas individuais e descartáveis

Concepção integralista do organismo

Clínica de fácil acesso - duas quadras do Metrô Paraíso

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Afinal, qual é o princípio da Acupuntura?








A Acupuntura é uma arte tradicional dos "povos do meio", digamos, os chineses.
É baseada no princípio de que a vida é uma polaridade dinâmica. Esta concepção dinâmica da vida mostra que existe uma polaridade intrínseca em nossa formação, constituição e consciência.
De um lado as essências chamadas Yin e de outro as chamadas Yang.
A vida cuida de estabelecer relações das quais nos alimentamos e conduzimos, integrando estas duas essências primordiais e portanto expressando quaisquer modos de vida intermediariamente entre os opostos.
Segundo a tradição, nada é Yang ou Yin de forma absoluta. Cada elemento da vida possui ambas características. Alguns expressam mais uma forma, destacando uma porção preferencial o que significa excluir a porção complementar.
A energia celestial ou a que vem de cima é considerada predominantemente Yang. A que vem da Terra é predominantemente Yin. O ser humano está entre estes dois polos de forma a integrar as duas energias na região abdominal.
A percepção de estar saudável ou não vem do equilíbrio entre estas duas forças na região da barriga. Por isto os chineses darem tanto valor a esta região chamada de "campo cultivável".
A Acupuntura, por meio da investigação dos pulsos, pode encontrar a situação do estado desse equilíbrio em termos dos 12 meridianos principais que existem em nosso corpo.
Como intermediários entre o céu e a terra, dividimos equitativamente as energias nutridoras e defensivas e ancestrais nestes canais energéticos que percorrem nosso organismo.
Os pulsos reveladores mostram na mão direita os meridianos do pulmão, intestino grosso, baço, pâncreas, estômago, circulação e sexualidade. Do lado esquerdo revelam o coração, intestino delgado, fígado, vesícula biliar, rim e bexiga.
Existe ainda um quarto pulso relacionado aos estados psíquicos e emocionais.
Mas os chineses não dividiam corpo e mente e nem nosso organismo em órgãos.
Damos estes nomes aos meridianos mais para aproximar um sincretismo ocidental do que para reduzir as energias em funcionalismos e especialidades. Quero dizer, damos estes nomes para aproximar o conceito chines (oriental) ao nosso. Nós tendemos a ser mais racionais e portanto analíticos. O pensamento da tradição da acupuntura exige uma reflexão de síntese.
Parece que ser sintético, às vezes, é muito mais difícil do que ser analítico.
Como não existe o conceito de "especialidades", não existe acupuntura renal, cardiológica, dermatológica, por exemplo.
O organismo é entendido como uma totalidade orgânica e está em constante relação com o meio em que vive.
Tratar um problema de pele, muitas vezes não mostra resultados se não incluirmos a essência do pulmão, por exemplo, ou vice versa.
Não existe tratamento em acupuntura sem que haja adesão da pessoa à cultura dinâmica que a própria acupuntura repousa, isto significa que falar em acupuntura é falar em relação fenomenológica com o meio ambiente, com os estilos de vida; as preferências e as exclusões. Em outras palavras: as escolhas que fazemos.
Portanto alimentação, respiração, contato com a natureza, percepção do meio, pensamentos, ações, movimentos são todos elementos essenciais para compreendermos e vivermos com mais qualidade, atentando para nossos modos de caminhar a vida.
O fato de sermos diferentes quanto ao gosto por um determinado padrão alimentar não nos fazem anormais. Mas é preciso entender que a falta ou exagero de algo, até de água, determinam resoluções que nosso organismo opta em favor da vida. Não existe saúde perfeita. A saúde é a capacidade que temos de engendrar modos e normas que, quando aplicadas de forma justa, trazem sensações e percepções gratificantes e positivas.

Abraços fraternos.

Maurici TF Santos

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Meditação Nadabrahma











Semana passada falamos dos princípios da meditação Nadabrahma. Hoje vamos passar os estágios para meditação conforme ensinamentos de Osho, observados no livro que referenciamos na nota passada¹.

O primeiro estágio consiste em você sentar-se em uma posição relaxada, com seus olhos e seus lábios cerrados. Comece a emitir um som para criar uma vibração em todo o seu corpo. Se quiser, visualize um vaso ou um tubo vazio, preenchido apenas com as vibrações desse som. Haverá um ponto em que o som continuará por conta própria e você se tornará o ouvinte. Não é necessário fazer nenhuma respiração especial e você pode alterar o tom ou mover seu corpo suave e lentamente caso queira. Recomenda-se levar neste estágio aproximadamente 30 minutos.

O segundo estágio é dividido em duas sessões. Imagine fazer este exercício em aproximadamente 15 minutos, ou seja, 7 minutos cada sessão. Na primeira sessão, mova as mãos, palmas para cima, fazendo um movimento circular. Começando no centro do abdomem, cerca de quatro dedos abaixo do umbigo, as duas mãos devem mover-se para a frente e depois separar-se, fazendo dois círculos largos que se espelhem à esquerda e à direita. O movimento deve ser tão lento que em alguns momentos pareça não haver movimento algum. Sinta a energia fluindo de você para o Universo.

Na segunda sessão, após sete minutos, vire a palma das mãos para baixo e comece a movê-las na direção oposta. Agora, as mãos irão aproximar-se ao chegar perto do centro do abdomem e irão separar-se, fazendo um círculo para fora na direção dos lados do corpo. Sinta a energia entrando em você.
Assim como no primeiro estágio, não reprima eventuais movimentos suaves e lentos do restante do corpo.

No terceiro estágio, sente-se ou deite absolutamente quieto(a) e imóvel.
Se você quiser pode adquirir o livro que vem com um CD e traz as músicas que acompanham a meditação.
Caso contrário coloque uma música bem calma e relaxe por aproximadamente 15 minutos.

Não é tão difícil assim, não é?

Abraços fraternos e até nosso próximo encontro.



¹ Aprendendo a silenciar a mente. Osho. 3a edição. Sextante, Rio de Janeiro.2002. Pgs 107,108,109.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Meditação: aprendendo a silenciar a mente.










Instruções para meditação Nadabrahma. Capítulo 1.

Seguindo algumas observações que fizemos em tópicos anteriores sobre respiração abdominal, agora vamos repassar algumas instruções para a meditação Nadabrahma. Todos estes conceitos tem como objetivo o relaxamento, a serenidade e a atitude justa e tranquila.

Mas antes, gostaríamos de dizer que meditar é ficar em silêncio...silenciar a mente. Procure um lugar mais calmo possível, se puder. Veja se há alguma praça tranquila ou mesmo em casa, num quarto...com pouca luz e com o menor barulho ou ruído possível. Isto serve para, principalmente os iniciantes, concentrar-se no estado de consciência meditativa, pois a tendência é sempre se deixar levar por um som, barulho ou pensamento. A mente é muito tagarela.
Na verdade, a meditação pode ser feita em qualquer lugar e a qualquer momento. Mas para os iniciantes, é recomendável começar com um ritual mais adequado como o apontado.

A meditação Nadabrahma é uma das meditações possíveis. Existem outras variadas maneiras de se meditar. E o mais importante: não se paga nada e nem a ninguém. Temos a liberdade de meditar quando quisermos e onde quisermos e da forma que quisermos.

Nadabrahma é uma antiga técnica tibetana, originalmente praticada nas primeiras horas da manhã, conforme nos ensina Osho¹. Pode ser praticada a qualquer hora do dia, a sós ou acompanhado, mas seu estômago deverá estar vazio e você deverá permanecer inativo durante pelo menos 15 minutos após a meditação. A meditação dura uma hora e tem três estágios.

Na próxima edição vamos indicar as três fases da meditação Nadabrahma. Sintonize!
Enquanto isto, você pode relaxar com uma das músicas e vídeos que estão no canto superior deste blog. Aprecie com moderação! São sons especiais do Nepal, da Índia...e todos com harmônicos especiais para relaxamento. Tomara que vocês gostem!

¹ Osho International Foundation. Aprendendo a silenciar a mente: Um caminho para a paz, alegria e criatividade. 3a edição. Rio de Janeiro. Editora Sextante, 2002.

domingo, 11 de julho de 2010

Ouça a "Calm Radio" do Canadá! Vale a pena.

Ouvir - CALMRADIO.COM - SLEEP - Free Stream - Relaxing New Age and Classical music.

Se você gosta de boa música "new age", sintonize a radio canadense "calmradio" pelo site:
http://www.windowsmedia.com/radioui/home.aspx?g=newage&culture=pt-br

Ou visite o site
http://calmradio.com/
para conhecer um pouco desta rádio que não possui intervalos comerciais.

É gratuito.
Há alguns albuns interessantes de outras rádios. Entre as estações disponíveis, a "calmradio" se destaca por trazer músicas de relaxamento, equilibrantes e de artistas comprometidos com um planeta saudável.
Ouça e relaxe.

Abraços fraternos
Maurici

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Trilho e Trilha

I never tire in my search for solitute,
I wander, aimlessly, along out-of-the-way trails,
where I have never been before;
the more I change direction,
the wider the road becomes.
Lao Tyi








Eu nunca me canso na procura por solitude,
e à vezes fico pensando, meio que desinteressadamente, durante minhas trilhas fora do trilho,
naquelas onde eu nunca estive antes;
quanto mais eu mudo de direção,
mais larga fica a estrada.




pourmauriceETsantos,2010



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sábado, 10 de julho de 2010

Acupun-cultura







Acupuncultura é um neologismo para a cultura da Acupuntura.
Os que praticam a Acupuntura sabem da importância de revelar que não são meros aplicadores de agulhas, contudo defendem transformações no estilo de vida que sejam compatíveis com hábitos saudáveis.
Assim, respirar adequadamente e ter uma alimentação balanceada ajuda muito no equilíbrio e harmonia energética.
Há um meridiano chamado de Triplo Reaquecedor. Este canal energético possui três níveis: um ligado às funções genito-urinárias, o segundo ao abdomem e o terceiro ao segmento torácico.
Estas 3 funções necessitam estar em harmonia para que os alimentos e o ar inspirado possam, junto com a energia do Rim, transformar-se em energia Ki, nutridora e defensiva.
A cultura da Acupuntura nos faz refletir sobre as atividades ligadas aos três níveis do Reaquecedor ou meridiano TR. Em primeiro lugar usar de forma adequada a energia sexual, ligada ao primeiro aquecedor. Alimentar-se mastigando bem os alimentos, evitando tomar líquidos com as refeições e escolhendo fontes integrais; de preferência evitando enlatados, frituras e açúcar branco. O terceiro aquecedor tem a ver com a respiração, o Coração e o Timo. Este terceiro nível nos conta que é sugerido respirar usando o abdomem, procurar quando possível (para quem mora nas grandes cidades) viajar de vez em quando para locais com boa qualidade de ar e finalmente evitar atividades que estimulem demais o coração, como fumar, beber alcool ou café e chá (com muita cafeina) em demasia, usar estimulantes, ficar acordado, constantemente, até a madrugada em baladas, assistindo TV ou mesmo trabalhando.

Pratique a cultura da Acupuntura: a Acupun-cultura!

domingo, 4 de julho de 2010

Os pólos de nosso corpo. Do Monte Caburaí ao Arroio Chui.




























Existem dois pontos de acupuntura que são extremos. O mais setentrional, ou o mais alto, é o VG20:

o vigésimo ponto do meridiano do Vaso Governador é também conhecido como Mar dos Yangs.

Na sola do pé existe um único ponto: O R1, ou porta da vida. É o primeiro ponto do meridiano do Rim, o mais baixo e meridional do corpo.

Vamos dizer que o VG 20 é o pólo norte e o R1 é o pólo sul.

VG 20 recebe as influências, mensagens e energias do céu e R1 da Terra.

Como eu faço para achar estes pontos em mim?

VG 20 fica na parte mais alta de sua cabeça. Faça o seguinte: com os indicadores encontre os pontos mais altos de suas orelhas. Siga então com os dedos em direção à cabeça. Você vai ver que os dois dedos se encontram no topo. Este é o ponto VG 20.

R1 fica na sola do pé. Dobre a perna esquerda sobre a direita. Com a mão esquerda coloque o indicador atravessando a região do peito do pé seguindo a base dos dedos. Você vai perceber que seu polegar, levado em direção à planta do pé, vai cair exatamente numa pequena depressão. Este é o ponto R1. Em Japonês chama-se Yusen e em Chinês Yongquan.

Interessante que a energia celestial entra por todo nosso corpo, mas é melhor recebida pelo ponto VG 20, meridiano do Vaso Governador que percorre toda a coluna vertebral. Já a energia que vem da Terra, está em nosso alimento e na água, mas precisa também passar pelo R1.

Depois que estas energias entram em nosso organismo, elas vão se encontrar na região da barriga. Lá elas se cumprimentam, conversam, proseiam e depois, junto com o alimento que ingerimos, mais o ar do pulmão e um pouquinho de nossa energia ancestral, vão formar as energias nutridorias (Yong) e protetoras (Wei) que serão então distribuídas por todos os meridianos do corpo.

Por estas três informações concluímos ser importante:

1. Tomar sol na cabeça, principalmente nas primeiras horas da manhã e se possível com as plantas dos pés no chão, na terra, na grama ou na areia.

2. Aproveite e coloque as mãos, uma em cima da outra, sobre a região umbilical. Perceba como as duas energias se dirigem para o centro do seu corpo. Yin e Yang num encontro memorável e libertador.

3. Que tal uma massagem em cada um destes pontos? O VG 20 você pode fazer com os dedos médio e indicador. O R1 pode ser com uma bolinha de tênis. Enquanto você trabalha no computador, massageie a planta do pé. Faça em um pé só e compare com o outro. Veja, por exemplo, como o alongamento dos músculos da perna massageada aumentou em comparação com a perna que você não fez a massagem!

Semana que vem falamos mais um pouco sobre R1 e VG 20.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Aprimorando a respiração

Na semana passada conversamos sobre a respiração abdominal.
Hoje vamos dar um toque de excelência a ela.
Ao inspirar pelo nariz, fazendo respiração diafragmática no tempo 4X4X4X4 (conforme vimos), acrescente os seguintes movimentos : Ponha a ponta da língua no céu da boca, feche os olhos, tente olhar para dentro do corpo e ao expirar, pela boca, produza o som "om".
Pronto, uma respiração avançada, diria, quase sagrada.
Com esta prática você vai perceber as diferenças importantes que vão ocorrer.
Aproveite este blog para postar sua experiência e descobertas sobre a respiração.

Semana que vem vamos falar um pouco dos exercícios de Lian Gong para melhorar nossos músculos, tendões e ossos.

Abraços fraternos
Maurici

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Vamos melhorar a angústia e as dores no pescoço, diminuir a TPM e respirar melhor?




Hoje vamos falar um pouco sobre a respiração abdominal.



A idéia é inspirar pelo nariz e expirar pela boca. Sente-se ou deite-se num lugar confortável. Faça a respiração por uns 3 minutos. Não se exceda muito para evitar a hiperventilação. Muito oxigênio pode te deixar com tontura. Faça a respiração 3 vezes ao dia. Manhã , tarde e noite.

Quando você inspirar sinta a sua barriga estufar. No começo é mais difícil pois você vai perceber que quando você fica desatenta a tendência é contrair os músculos do pescoço, o que chamamos de musculatura apical, lembra-se?

Pois bem. Coloque um pequeno peso na sua barriga. Pode ser um livro, por exemplo. Isto ajudará a aumentar propriocepção da barriga e você lembrará que deve subi-la no momento da inspiração.

Quando você expirar, isto é, jogar o ar para fora, murche a barriga.

Então vejamos: Na inspiração o livro sobre. Na expiração o livro desce.

Fácil, não?

Agora vamos entender que estas atividades não são para você aumentar o controle da respiração. É melhor falar em aumentar ou qualificar sua consciência da respiração. Pode ser feito pelos homens também.

Vamos agora acrescentar mais alguns ingredientes nesta respiração. Quando você já tiver praticado a respiração abdominal podemos melhorar ainda mais o movimento. Faça o seguinte. Vamos fazer o que chamamos de respiração abdominal 4X4X4X4 (quatro por quatro por quatro por quatro)

Inspire em quatro tempos; segure o ar por quatro tempos; solte o ar em quatro tempos e inspire por quatro tempos (conte até quatro cada vez). Lembre-se: Inspirar sempre pelo nariz e expirar pela boca. Siga estas dicas e você notará:

*Maior consciência da vida, do ar que você respira, do seu pulmão!
*Dimunição da ansiedade.
*Relaxamento da musculatura do pescoço.
*Diminuição das dores do pescoço.
*Menos frustração, mais alegria e menos angústia.
*Melhoria do sono.
*Equilíbrio geral.
*Diminuição dos resfriados.
*Diminuição das cãimbras.




















Semana que vem vamos acrescentar mais alguns detalhes nesta respiração.

Até lá.
Dúvidas?
Escreva para

mauricitadeu@yahoo.com.br

Abraços fraternos

quinta-feira, 17 de junho de 2010

TPM, Meridianos e Respiração.






As mulheres, em geral, tendem a respirar usando a musculatura dita "apical" ou acessória. Explico-me: a respiração considerada ecológica ou natural é a que usa primordialmente o músculo diafragma. É conhecida como respiração abdominal.
Nela, quando inspiramos, o diafragma se expande e abre caminho para ajudar na expansão dos pulmões, aumentando a capacidade ventilatória. Por isso a barriga "estufa" ou cresce.

Ao contrário, quando expiramos, os músculos abdominais entram em ação comprimindo a região e aumentando a capacidade de expulsar o ar dos pulmões.

A respiração na verdade é uma onda. Ela começa pelo ato da inspiração; expansão do músculo diafragma; ação dos músculos intercostais (músculos que agem abrindo as costelas) e termina com os músculos do pescoço que dão o tempero final, aumentando o gradil costal através da ação dos acessórios. Por estarem na região do pescoço é que chamamos de "apicais".


A mulher tende, em geral, na respiração profunda, fazer justamente o contrário. Perceba sua respiração profunda, se você for mulher. Note que há um certo "esforço" em puxar o ar pelos músculos próximos à clavícula e laterais do pescoço. E perceba também que na inspiração a barriga tende a "murchar".
Este movimento é chamado de respiração paradoxal.

Com isso, com o tempo, o diafragma acaba ficando contraído demais. Começam as dores na região lombar (onde o músculo se liga), o pulmão não se expande totalmente, a musculatura do pescoço fica tensa e surgem dores de cabeça, torcicolos e incômodo na área cervical. Como a respiração não é satisfatória e é inadequada, aparece um sentimento de angústia (respiratória) e tristeza. A mulher tende a se curvar para a frente, encurtando os músculos peitorais e perdendo a linha da visão do horizonte.

Na época da menstruação, ou melhor, no período pré-menstrual, a situação fica mais complicada ainda. Na tradição oriental o sangue está relacionado com o elemento madeira, em especial o meridiano do Fígado e da Vesícula Biliar. A tensão na parte posterior do pescoço tem reflexos no meridiano Yang, acoplado do Fígado, que passa exatamente em parte do músculo trapézio e na região da nuca, no seu trajeto para a cabeça. Por isso podemos dizer que a TPM está relacionada com o bloqueio energético da Vesícula Biliar e não é raro encontrar enxaquecas torturantes onde a fonte é hepática/biliar. Por isso chamá-la, às vezes, de enxaqueca de fundo biliar.
A mulher fica irritada e sua cabeça dói. Em geral, se apenas um dos pares do meridiano está bloqueado, a dor poderá ocorrer em apenas um lado da cabeça.

Antigamente dizia-se que a pessoa ficava "biliosa" em função da relação do comportamento agressivo e raivoso com a bile, produzida pelo Fígado e armazenada na Vesícula Biliar.
Frase como "ela ficou verde de raiva" apontam para a mesma origem.


Semana que vem falaremos um pouco mais sobre isto.
Até lá.

Maurici TF Santos